Ensaios, Idéias, Reflexões...e nada mais...


PARA SE ENTENDER UMA MULHER...

Ronaldo Magella 05/01/2010

Para se entender uma mulher, claro, as mulheres não podem ser compreendidas mesmo, de verdade, em realidade, logo, a afirmação carece de lógica, no entanto, para se chegar pelo menos perto do conhecimento do que venha a ser por ventura a alma feminina, você precisa não precisa passar por TMP, dar a luz ou qualquer outra coisa, basta apenas ter um cabelo mal cortado.

Às vezes só se pergunta como e por quais motivos elas vão tanto ao salão de beleza, é escova pra cá, alisamento pra lá, prancha aqui, escova ali, creme assim, corte assado, um tal de tirar as pontas, deixar mechas, pintar, colorir, pentear, coisas que um homem sem sensibilidade não entende ou não entenderá até ter o seu cabelo mal cortado. Deus nos faria um favor imenso se deixasse a humanidade toda sem visão, não precisaríamos de espelhos, e isso seria uma revolução e tanto, sem precedentes, pois conseqüentemente, nossos cabelos e nossos quilos a mais não iriam nos incomodar tanto, tanto, tanto e tanto.

Talvez seja essa a solução para os dramas humanos, a escuridão total.

Minha história de como cheguei mesmo a entender as mulheres é a seguinte: há três meses meu cabeleireiro oficial foi embora, viajou para o norte do país em busca de uma vida melhor e deixou meu cabelo órfão. Pensei em escrever ao papa, fazer uma passeata ou uma campanha para trazê-lo de volta, lógico, claro, apenas para cortar o meu cabelo. Ele tinha com o meu cabelo uma mágica, eram almas gêmeas, eu não precisava dizer nada, apenas sentava e eles dialogavam e pronto, era o corte perfeito, eu ficava até mais bonito. Vejam como era profunda a relação. Mas o carinha foi embora.

Passei quase dois meses com medo de cortar o meu cabelo, cabelo é uma coisa sagrada, poucas coisas mexem tanto com a nossa personalidade, auto-estimar, espiritualidade, quanto um cabelo. Se for bem cortado, ótimo, caso contrário, podemos até entrar em depressão. E quase chego lá, mas dei a volta por cima, me resignei e tomei coragem para encontrar outro cabeleireiro. Escolhi um aleatoriamente, depois de vários conselhos e indicações, resolvi seguir o meu instinto. Que falhou, lógico.

Decepção total. A sorte é que os cabelos crescem, Deus pode até ser malvado, mas pelo menos nos permite uma segunda chance. Não houve química, não houve relação, não houve magia, o cara não conseguiu achar o corte certo, mas tudo bem, era o primeiro corte, quem saberia se ele não poderia acertar outro dia? Ledo engano, a segunda saiu pior do que a primeira. A grande questão é, o que se pode fazer com um cabelo mal cortado? Ir ao PROCON, à Justiça? Mandar prender o infrator de cabelos? Se querem saber, não chorei. Fiquei meio chateado, poxa, já sou feio por natureza, e de cabelos maus cortados? Xiiiiiiiiiiiiii...

O fato é que, nada se pode fazer com um cabelo esteticamente imperfeito, só chorar ou esperar o cabelo crescer. Você pode até dizer que é moda na Austrália, no Oceano Índico, entre os esquimós, e que você foi escolhido através de uma seleção feita pela internet para ser o novo modelo do corte de cabelos estranhos que em breve irá virar febre mundial. Ufa, dá um jeitinho.

 Aquele que nunca se sentiu frustrado com um cabelo mal cortado que me atire bem no meio da cara uma pedra enorme. Hoje eu entendo uma mulher e seus cabelos.



Escrito por Ronaldo Magella às 16h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 

A PREVISIBILIDADE DOS SENTIMENTOS HUMANOS

Ronaldo Magella 03/01/2010

Certos, somos racionais, pensamos, sentimos, temos linguagem para expressar sentimentos e emoções, denominar coisas, qualificar pessoas, caracterizar situações, mas parece que no fundo, no fundo, bem no fundinho, apesar de todos esses atributos e qualificações, da nossa evolução como espécie, parece que somos iguais máquinas, previsíveis, com um espécie de manual ou etiqueta que diz como iremos funcionar ou deixar de funcionar, como vamos reagir ou não diante de certas ocasiões. Filmes como Ele Não Está Tão Afim de Você ou Hitch – conselheiro amoroso, demonstram basicamente isso, nossa forma de nos comportar nas relações sociais afetivas, ou melhor dizendo, quando estamos prestes a vivenciar um acontecimento de tal natureza, a aproximação de alguém com algum interesse mais íntimo, podemos assim fechar o sentido desse parágrafo.

O primeiro filme, Ele..., trata sobre como perceber quando alguém não está interessado em nós. Certos sinais básicos demonstram muito bem o interesse ou a indiferença de alguém em relação ao nosso contato insistente em busca de uma abordagem mais instigante. Alguém não retorna as nossas ligações, não responde nossos emails, não dá atenção a nossa conversa, tem sempre uma desculpa para os nossos convites ou sempre não está interessado em uma maior aproximação, dizendo ser por falta de tempo, ou seja conta do trabalho, seja, seja, enfim, seja. O fato é que, quando alguém quer, alguém faz acontecer, arruma lugar, tempo e uma desculpa para nos encontrar, chega até a falta ao trabalho, deixar de ir aula, até mentir em casa. Mas quando não quer...o segundo filme, Hitch..., é o contrário do primeiro, este nos inspira a fazer a coisa certa, dizer as coisas certas, vestir a roupa certa, ter a atitude adequada para conquistar alguém. E por mais que alguém diga, as pessoas são diferentes, cada um tem um toque, uma fórmula, um som que se devidamente soado no momento certo, na hora certa, no dia e lugar, puff, a paixão começa a se desenvolver.

Só olharmos para as pessoas que nos chamam atenção ou para alguém que queremos para sempre ao nosso lado vamos perceber que são os detalhes que nos conquistam, o olhar, o andar, o sorriso, a voz, alguma coisa que nos faz perder a cabeça, os sentidos, nos desperta as emoções. O contrário também acontece, quando não gostamos de alguém ou quando não queremos alguém por perto é por um único e simples motivo, os detalhes não se encaixam conosco, tem algo na pessoa dissonante com a nossa forma de ver o mundo, com as nossas preferência.

Então é isso, somos assim, emitimos sinais quando não queremos, ficamos a espera de um sinal para reconhecer algo que estamos esperando, temos regras, manuais, fórmulas, conceitos e preconceitos. Se alguém cumprir as regras, colimar as fórmulas, encaixar-nos como diz o manual, nos ganha, porém, do contrário, nos expelirá. Não é de agora, vide o livro A Arte de Amar do poeta romano Ovídio, versos que narram sobre como conquistar as mulheres e mantê-las presas e também como as mulheres podem trair seus homens. Claro, o poeta foi banido de Roma por ser considerado imoral, mas isso não importa ou tem valor para o nosso texto em questão. A nossa grande questão é que, do Império Romano aos dias atuais, digitais, parece que não mudamos nadinha de nada. Incrível. Pelo menos nesse campos das relações e dos sentimentos somos previsíveis.



Escrito por Ronaldo Magella às 09h07
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O QUE DESEJO A VOCÊ EM 2010.

Ronaldo Magella 03/01/2010

Segundo o escritor Luís Fernando Veríssimo só se conhece um homem, ou uma mulher, verdadeiramente em duas oportunidades, quando ele, ou ela, tem uma arma apontada para si ou quando ele, e também ela, está apaixonado, nesses dois momentos da existência o ser humano mostra-se em essência quem realmente é. E mais, do que realmente é capaz de fazer.

Bem, seria muita crueldade minha desejar a você ou que você tivesse uma arma apontada para si, mas posso desejar uma paixão. A escritora Martha Medeiros disse que a pior maldade e crueldade que podemos imputar e desejar a alguém, melhor ainda se for o nosso inimigo, é uma paixão. Melhor do que desejar a morte, a dor, o sofrimento, a paixão já trás tudo isso a reboque.

Então, sim, desejo a você em 2010 uma paixão louca, arrebatadora, cega, dorida, pungente, atroz, desequilibrante, cômica, dramática, nonsense, daquelas de perder o sono, a fome, a vontade de viver. Paixão imensa e louca, daquelas de se ficar cantando alto pelos cantos ou ouvindo música altas horas da noite. Uma paixão doida, daquela de você escrever a mesma carta ou bilhetes mil vezes e mil vezes resgar, ensaiar frases, palavras, discursos, formas de abordagem, de decorar até o sorriso para o momento do grande encontro. Eita, como é bom estar apaixonado. Como é gostoso, sonhador, ilusório, meigo e solitário.

Como cantou Camões em seus versos, “tão contrário a si é mesmo o amor”, é a verdade que nos consola. Somos solitários na paixão, sonhamos sozinho, suspiramos sozinhos, sofremos sozinhos, amamos sozinho outro alguém, e quando o desejo se consuma, acontece, se realiza, sozinhos nos felicitamos, ficamos efusivos, expansivos, sempre em solitários caminhos e devaneios. Renato Russo cantou, “a paixão quer sangue e corações arruinados, e saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago, e esse ingratidão e esse dor, não quero mais (…) quero respeito e sempre ter alguém, que me entenda e sempre fique ao meu lado, mas entenda, não quero estar apaixonado”. É, Renato Russo sabia o que estava cantando, as paixões são as tsunamis dos sentimentos, os vulcões do corações, os terremotos da alma.

Verdade também que a paixão num é só sofrimento e dor, pessoas apaixonadas são criativas, poéticas, sentimentais, sensíveis, calmas, doces, meigas, a paixão nos muda, nós mudamos com a paixão. Como disse, escrevi tempos atrás, numa das minhas crônicas de 2009, acho que copiei de alguma lugar, sei lá, enfim, a paixão emagrece, o amor engorda. Já lembrei, vi na capa de um livro. Pois bem, então, já por isso estar apaixonado é bom, deixará você em forma, sequinho, sequinha, fininha, sem precisar ir malhar ou caminhar, sem gastar dinheiro pra entrar no corpo e modelo do verão.

Claro, se você já tem alguém e não sentiu nada avassalador assim, não passou fome, não teve insônia, não perdeu peso, não teve vontade de beber, chorar, gritar, não mudou nada, sinto muito lhe dizer, mas você não está apaixonada, pode até amar, mas paixão mesmo não sentiu ainda. Das duas uma, ou você irá engordar ou o tempo se encarregará de lhe mostrar onde está o erro. Imagine as seguintes cenas ou paisagens: paixão: rios, cachoeiras, perigos, altos e baixos, águas turvas e velozes. Amor: açude, sem ondas, águas mansas, pescaria sem peixes, horizontes tranquilos, nuvens vagarosas. Bem, você escolhe.

Logo, assim, encerro desejando a você uma feliz paixão 2010, para você curtir mesmo a fossa, a lombra, o entojo. Viva a paixão. Sim, claro, pode haver amor com paixão, paixão com amor, tanto mais e melhor se assim o for, mas não paixão sem conflito.



Escrito por Ronaldo Magella às 11h17
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 FILOSOFIA DAS PEQUENAS COISAS PARA O PRÓXIMO ANO QUE ACABOU DE COMEÇAR E LOGO LOGO IRÁ TERMINAR, É SÓ O TEMPO PASSAR, E VAMOS FAZER TUDO OUTRA VEZ...


Ronaldo Magella 01/01/2010

 Como me havia proposto e assim o fiz, passei a hora da virada, o Ano Novo em casa, deitado numa cama dormindo, e acredite, amanheci sem nenhum sentimentos de culpa, arrependimento ou perda social de vida. Moral da história de final de ano, nós NÃO precisamos fazer o que todo mundo faz para sermos felizes, aceitos, sociais, queridos ou tudo mais. Alguns irão me fazer de misantropo, louco, anti-social, eu diria apenas que estou procurando ser autêntico e me conhecer um pouco mais, saber do que sou possível de controlar em mim, pois afinal o que será mesmo a maturidade, saber o que se deseja ou saber controlar o que se deseja? Eis uma boa questão, uma vez que nem sempre conseguimos alcançar tais estágios de humanidade. Muitos de nós não sabemos o que desejamos e quando o sabemos de verdade, o nosso desejo é a nossa maior e pior prisão. Vide o filme Réquiem para um sonho.

Outro dia, ainda ontem, dia 31 de dezembro, estávamos na livraria Siciliano, meu céu e meu inferno, e já estava para ir embora sem comprar nenhum livro, quando o amigo que estava comigo me perguntou, então, vais vencer hoje o seu desejo incontrolável de comprar livros? Sorrindo disse, uma frase que nem mesmo esperava dizer por cinco reencarnações, mas afirmei, claro, o desejo é meu, eu o controlo, não faz sentido meus desejos me controlarem, caso contrário, pra que viver? O momento foi muito bonito, é verdade, porém ainda não é concreto e real, é uma frase platônica. Uma amiga psicóloga uma dia me disse que tudo que escrevo ainda não vivo, é algo idealizado. Ela deve ter razão, mas olhando por um prisma positivo, posso afirmar que pelo menos o meu ideal faz algum sentido, é algo interessante, do sonho para a realidade há um caminho, não fácil, é verdade, mas que se pode trilhar.

Taí uma grande tarefa para o ano novo, controlar nossos desejos, impulsos, o que, diga-se, nem sempre é fácil, mas pode ser exercitado. Fazem mais de dois anos que deixei de beber, decidi por mim mesmo parar e pronto. Hoje circulo por bares, festas, tenho contato com a bebida, vejo os amigos bebendo, me oferecendo inclusive, mas me mantenho firme no propósito assumido. Não sinto a menor vontade de ingerir álcool, nenhuma. Se deixei de viver por conta disso? De forma alguma ou nenhuma, pelo contrário, encontrei outras razões para viver. É como solidão, ninguém gosta de ser ou ficar sozinho, porém, otimistamente falando, podemos aproveitar momentos assim para ler, escrever, pensar, ver filmes, caminhar, curtir outras coisas, para depois quem sabe, curtir alguém.

Bom, por enquanto é isso, comecei o ano assim, escrevendo, como disse o Luís Fernando Veríssimo, escrever é como andar de bicicleta, é pedalar, pedalar, pedalar....e lá vou eu...outra vez este ano...até breve...



Escrito por Ronaldo Magella às 10h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




MINHA LOUCURA DE ANO NOVO

Ronaldo Magella 30/12/2009

Na minha doce normal loucura de vida de final de ano este ano vou passar a noite de ano novo a virada do ano vestido de preto meias pretas cueca preta calça preta blusa preta deitado em cima de uma cama olhando para o teto ouvindo Metallica e pensando na vida.  Na minha louca loucura de ano novo a noite da virada vou ficar em casa desde o amanhecer do dia até o final do espetáculo do dia 31 de dezembro. Não vou fazer promessas nem ter pensamentos positivos nem desejar menos ainda feliz ano novo para todo mundo seja por email ao vivo por celular ou qualquer outro meio. Não vou comer beber sorrir amar ou sofrer apenas esperar o tempo passa como passou durante todo o ano que acabou de findar e como os outros que irão passar e findar. Voi ficar louco e sozinho na minha sã loucura. Sim como diz uma amiga sou doido e preciso procurar logo ajuda técnica especializada qualificada. Na minha loucura doentia e saudável não vou beber até o amanhecer do dia acordar de ressaca e sem lembrança de nada ou com a leve sensação de que não deveria nem ter saído de casa e nem vou sair pelas ruas desejando felicitações a quem não conheço nem vou fazer sexo com alguém que nunca vi na vida e que conheci ali na hora dos fogo e rolou a tal química e pimba comecei o ano com amor e prazer menos dá três ou sete pulinhos no mar me vestir de branco ou pensar que tudo será diferente para os próximos dias ou meses. Coisas normais né? Por que será que só é normal é quem assiste novela bebe todo final de semana transa com várias pessoas por ano vive fazendo o que todo mundo faz vive as convenções sociais e tudo mais? E quem não vive de acordo os padrões não é normal? Isso é muito engraçado. No Natal coloquei minha popularidade a prova e claro deu a lógica ninguém lembrou-se de mim. Não mandaram email nem torpedos menos ainda ligaram ou foram me visitar não fui convidado para nenhuma confraternização resultado passei a noite de Natal em casa dormindo e sonhando não morri nem nada apenas constatei que já posso morrer em paz pois sei que ninguém dar-se-á por minha falta ou perceberá minha ausência. O grande fato é que se você não está louco como todo mundo será um normal sozinho. Logo feliz 2010 para todos e muita loucura ou seria normalidade demais? Sei lá mas ainda em tempo o texto sem vírgula não é algo anormal da minha cabeça que está padecendo mas intencional dentro da minha loucura normal de transgredir com os valores vigentes estabelecidos e tudo mais.



Escrito por Ronaldo Magella às 10h33
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A ERA NOVA

Ronaldo Magella 28/12/2009

Final de ano é sempre a mesma coisa, comer, sorrir, dar e receber, até o que vamos comer está escrito nas estrelas, não muda muita coisa (?). As felicitações pra cá e pra lá, os felizes aqui e ali, boas festas acolá, prósperos mais adiante, não é difícil nem complicado saber o script, decorar as falas e encenar a peça.

Mas não estamos apenas mais num simples final de ano e adentrando em outro, estamos no final da década 00, de uma era que começou em 2000 e está se encerrando agora, daqui a alguns dias, em 2009. Vamos viver agora a Era de 10. E a grande pergunta é, ou pelo menos deveria ser, o que nos espera ou o que esperar no e dos próximo dez anos? Arriscado fazer alguma previsão que seja, mesmo as mais lógicas. As coisas mudam constantemente, eis a única e certa previsão do futuro, mudanças.

Nunca a humanidade desenvolveu tanta tecnologia em tão curto período de tempo, nunca o ser humano teve acesso a tantos bens de consumo como nos últimos anos. Jamais se produziu um nível assim de informações, em larga escala e de forma instantânea, é até sufocante. O que nos falta? Temos celulares para encontrar as pessoas a qualquer hora do dia, temos internet para nos comunicar com pessoas distantes, carros para diminuir as distâncias, televisores, rádios, DVDs e outros meios digitais que proporcionam um significativo aumento de lazer, computadores que facilitam o trabalho, então, o que virá por aí?

Acredito, penso, que o nosso maior desafio daqui pra frente é entendermos a nós mesmos, algo que ainda não conseguimos, mesmo com tanta tecnologia, aperfeiçoamento, inovação. Sabemos tudo sobre as novidades, lançamentos, mas desconhecemos nossa velha e nova alma. Nosso interior. Ainda somos agressivos, recalcados, ciumentos, orgulhosos, vaidosos, arrogantes, preconceituosos, indiferentes, egoístas, insensatos, inseguros, imaturos, materialistas, sentimentos e instintos que mais de 5 mil anos de filosofia, 2 mil de cristianismo e pouco mais de 200 anos de psicologia não foram capazes de solucionar.

Pois se tudo que é material tem um prazo, um limite, um tempo, um período, no campo do espírito, dos sentimentos, das emoções, do intangível, do imaterial, cada construção, toda conquista, será para sempre, imorredoura. Posso até levianamente afirmar que não teremos mais guerras públicas, mas íntimas. O combate, o conflito será intimamente dentro de cada criatura, que lutará bravamente para conhecer-se, saber-se o que é, o que sente deveras. A próxima década será de silêncio e reflexão, de descobertas e soluções, de desafios e dor, de lágrimas e vitória, vitória da criatura humana sobre si mesma, sobre seus próprios demônios.

Claro, para aquele que se dispuser a enfrentar-se a si mesmo, haja vista que todos nós temos nossos mecanismos de fuga, no sexo, no consumo, no trabalho, na preguiça, não é fácil nos olharmos para dentro, é doloroso. Mas, porém, todavia, entretanto, nos próximos anos serão esses os vencedores, os vitoriosos, os normais. A loucura estará a solta, varrendo mentes, todos estaremos procurando abrigos, fortalezas, segurança, paz nos livros, nos filmes, nas celebridades, mas tudo estará dentro da própria criatura humana.

A porta dos desejos, do consumo, do caos, está aberta e alargando a cada dia um pouco mais, enquanto que a brecha do autoconhecimento fica mais estreita também no mesmo período, cotidianamente. Cumprirá a cada um realizar-se um esforço próprio. E não bastará conhecer, é necessário ir à batalha, enfrentar-se, pois muitos sabem, conhecem e mesmo assim deixam em vão a oportunidade.



Escrito por Ronaldo Magella às 11h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




TEMPO

Ronaldo Magella 21/12/2009

tempo...

não tenho tempo e o tempo me tem...

morro de medo de perder o tempo e o tempo me mata todo dia de morrer de medo de morrer a qualquer tempo...

tempo...

já nem tenho tempo e tanto tempo que tenho pra tanta coisa fazer em tão pouco tempo, haja tempo pra mim pra ter tempo de mim pra mim ter tempo pra do tempo de ter tempo pra tudo...

engraçado...é rir do tempo...o tempo que vivo é o tempo que morro, mato o tempo, o tempo eterno...triste é ver o tempo ir e levar os outros de mim, triste é perder o tempo e deixar os outros sem mim

e nessa viagem do tempo que anda a passar, tenho pouco tempo do tempo que o tempo ousa me dá, nem é muito nem pouco é apenas o tempo que o tempo me deu pra ganhar.

 tenho tudo, mas não tenho tempo, não tenho tempo para nada e sei que me sobra tempo pra tudo, é só ter tempo, mas o tempo me tem



Escrito por Ronaldo Magella às 09h53
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O ANIVERSARIANTE ESQUECIDO

Ronaldo Magella 18/12/2009

Natal talvez seja a única festa de aniversário que não lembramos do aniversariante. Em todo aniversário o aniversariante é o centro das atenções, no natal não; em todo aniversário todos os presentes são para o aniversariante, não natal não; em todo aniversário, cantamos e parabenizamos o aniversariante, no natal não; em todo aniversário fotografamos e filmamos o aniversariante, no natal não.

O que é muito engraçado, para não dizer outras coisas. E o pior, nos dizemos e afirmamos cristãos. Celebramos culto ao cristianismo, adotamos uma postura externa de fé, adoração e louvação, mas em essência estamos longe, dentro de nós pouco ainda temos cultivado, erguido, plantado e vivido essa bandeira. Em verdade, dizemos acreditar, ter fé, mas vivemos como se não houvesse dentro de nós essa certeza e essa verdade dita com os lábios. Somos sepulcros pintados.  

Se temos um time de futebol vestimos a camisa, vamos torcer, ao estádio, vibrar, comemorar, chorar algumas vezes até. Se gostamos de alguma coisa, se temos uma sonho, um desejo, uma vontade, lutamos até conseguir, colocamos aquilo como meta, prioridade, objetivo a ser alcançado e conquistamos a duras penas e esforços, trabalhando, economizando, poupando, suando. Batalhamos por empregos, por dinheiro, por casas, carros, por bens os mais diversos. Isso por que acreditamos que nos fará bem.

Mas, e se somos cristãos? O que fazemos? Feliz Natal ouço aqui e ali, recebo cartões, vejo frases, textos, fotos, músicas natalinas, árvores coloridas, enfeites, até a chegada do bom velinho, o papai Noel, mas e o aniversariante, onde está? Por onde anda? Talvez venha dentro de um presente, nas linhas de um cartão, esteja nos shoppings centers, nas saudações de feliz natal e boas festas? Quem vai saber? Quem sabe? O queremos realmente?

Somos poucos os que dedicamos um pensamento, uma prece, um momento de reflexão em busca desse aniversariante de Natal esquecido. Somos poucos que paramos para buscar o significado espiritual da data, do dia, do momento. Nos empanturramos de comida, nos alegramos com os presentes, nos confraternizamos em jantares, recepções, festa, reuniões, em atos limitados de humanidade, vamos a festas, gozamos e nos alegramos egoisticamente. E o aniversariante?

Quando alguém junto a nós, próximo está a completar anos, nós cedo arrumamos a casa, compramos as coisas, preparamos o ambiente, compramos presentes, convidamos os amigos, familiares, organizamos muita vezes uma pequena e singela comemoração, só para não deixar passar a data em esquecimentos, uma vez que é alguém de quem gostamos, que merece, alguém importante para nós, especial que está a aniversariar. E quando é o natal? O que preparamos, organizamos, cuidamos, a quem convidamos? Não será por ventura alguém importante, especial, alguém que merece? Não será o aniversariante alguém tão significativo?

Vivemos mais a nossa natureza material do que a nossa essência espiritual, nos preocupamos mais com os tesouros que os ladrões roubam e o tempo que desgasta do que com os nossos sentimentos e valores imateriais, passamos todo dia pela porta larga em detrimento do caminho estreito.

Sim, Jesus é o aniversariante esquecido, mas nós, todos os dias, somos convidados para a festa.



Escrito por Ronaldo Magella às 08h18
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




TRANSGREDIR

Ronaldo Magella 18/12/2009

Adoro arrumar a casa, tirar a poeira dos móveis, muito embora espirre bastante, mas gosto de pôr a mesa, lavar a louça, guardá-la, está bem, admito, não gosto, mas faço. É a verdade. Parece que hoje ser normal é transgredir, fazer coisas simples, como caminhar, comer pipoca, varrer uma calçada, regar uma planta, tomar banho de chuva ou brincar de damas e dominó, ter uma agenda de papel, um telefone de gancho em casa, num usar email, nem Orkut, não comer fast food, seja algo anormal.

Até pouco tempo atrás a transgressão, o violar, infringir o status quo vigente estabelecido era papel das artes, da literatura, do cinema, pintura, poesia, que criavam um mundo hiper realista, surreal, ultra real, imaginário. Autores como Júlio Verne, Kafka, Saramago, Borges, Machado de Assis, Rubem Fonseca, os irmãos Campos, e tanto outros, ou grandes pintores como Picasso, Salvador Dalí, Duchamp, vanguardistas das artes nos ano 60, transgrediram, criaram novos conceitos, novas concepções, algo novo além do banal e sedimentado.

Outro dia li uma entrevista com diretor de cinema Pedro Almodóvar quando ele disse que a função do cinema era nos dá essa sensação de imaginação, de encontrar algo que não encontramos na vida real, uma forma de liberar nossos sentimentos, medos, frustrações, em resumo, no cinema temos o que não se pode ter na vida real. A transgressão.

Mas hoje quando penso nessa vida louca que vivemos, conectada, plugada, interligada, simbólica, parece-me que viver seja hoje a maior forma de transgredir com os valores vigentes da sociedade atual. Ficar descalço com os pés na água, alimentar um pássaro, ler um livro, parar pra conversar, comer feijão com arroz. Coisas simples, sem fins lucrativos, sem objetivos financeiros, de poder, de fama, de sucesso. Outro dia vi o cantor e compositor Osvaldo Montenegro dizendo que chegará o dia em que alguém será considerado rico por ter uma galinha em casa. Preciso explicar alguma coisa?

Para transgredir há muitos sentidos, como pensar é transgredir, sonhar, escrever, falar, poesia é transgressão, sim todos podem ser e de fato o são, mas lançando um olhar para a sociedade atual, não de crítica, mas de reflexão, também podemos conceituar a transgressão como uma vida normal, simples, esse olhar próprio sobre a nossa sociedade sem deixar-se envolver pelo seximos, sexolatria, consumismo, modimos, tendências, também é uma forma de transgressão.

Estamos fazendo artes exercendo a nossa individualidade, particularidade, quando afirmamos a nossa autenticidade, a nossa beleza própria, a nossa aura. Transgredir é sair do mundo em vigor e criar uma alternativa.



Escrito por Ronaldo Magella às 09h07
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PEDRA É PEDRA

Ronaldo Magella 17/12/2009

Há um brocado que diz, “água mole e pedra dura, tanto bate (a água) até que fura (a pedra)”, no entanto, é preciso considerar que mesmo furada, quebrada, em pedaços, a pedra continuará a ser pedra, ou seja, em essência ninguém muda, talvez, quem sabe? Transforme-se, correndo o risco de voltar a ser o que era, uma pedra.

Tudo isso para dizer que, a mudança não pode ocorrer de fora para dentro, mas dentro para fora. Vide uma semente qualquer fincada no solo fértil, eclode, superar-se a si mesma, busca o sol, brota da terra e transforma-se em outro ser, árvore, planta, vegetal, com suas utilidades e finalidades. Não podemos mudar as pessoas, são as pessoas que mudam por suas próprias vontades, desejos e necessidades. E claro, e quando mudam, mesmo assim, cada um tem a liberdade de voltar a ser o que sempre foi, o que sempre quis ser.

O que podemos fazer é convidar, nunca, jamais forçar, obrigar, imprimir as nossas crenças, as nossas verdades e valores aos outros, pois eles podem até aceitar momentaneamente, mas certamente com o tempo voltarão ser o que sempre foram, voltarão para o mesmo lugar. Pelo simples fato de que, quando convencemos a alguém de algo, conseguimos apenas sensibilizá-la, envolvê-la, se ela não se encontrar, não fincar raízes, certamente abandonará o que lhe propusemos.

Outro dia alguns amigos discutíamos sobre a questão da consciência, quando alguém começa a questionar-se, a ler, a provocar discussões, interrogar, abrir-se para a poesia, para a arte, para um raciocínio lógico, ficamos sem uma respostas adequada sobre o momento exato em que isso acontece com cada pessoa. Cada um de nós tinha um momento especial para o desabrochar.

Esse despertamento é próprio de cada um, é uma particularidade de cada pessoa, de todo ser. Há pessoas com mais de 70 anos que ainda não sabem como se comportar diante da vida, que não sabem ainda questionar-se, reflexionar-se, parar e pensar-se a si mesmo. O despertar da consciência deve ser um achado para o espírito, não uma imposição. Acredito que alguns nunca conseguirão encontrar esse despertamento próprio durante uma vida inteira. É bem verdade que a vida tem meios de provocar mudanças, a dor, a morte, a doença, a perda, são formas de fazer com que cada pessoa comece a olhar a vida de forma diferente, comece a sentir outras coisas, comece a perguntar por outras paisagens.

Mas será sempre um momento nosso.

 



Escrito por Ronaldo Magella às 18h48
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




QUANDO JANEIRO CHEGAR...

Ronaldo Magella 16/12/2009

Na religião romana de Antiguidade os patrícius acreditavam na existência de um deus chamado Janus, configurado por uma cabeça com duas faces opostas, uma olhando para frente e a outra voltada pra trás. Os romanos acreditavam que Janus como divindade guardada o começo, o início das coisas, a primeira hora do dia ou o primeiro mês do ano, por isso o nome januarius, para nós hoje, janeiro. Janus também era o guardião do passado e do futuro, um olhar voltado e outro no horizonte.

Janeiro tem pra nós essa conotação de nos voltarmos para o que passou e nos lançarmos adiante, para um futuro. Um momento de análise e projeção, reflexões e metas por traçar. O que, digamos, é algo perigoso. Parece que sempre estamos a esperar pelas segundas-feiras, pelos janeiros, pelo término das coisas, pelo fim de algo para enfim iniciarmos um projeto. O que, repetimos, é arriscado, pois o tempo passa em conjunto, não em particular, não esperar por um único alguém, mas segue para e por todos indistintamente.

Para a filosofia o tempo não existe, nem o passado nem o futuro, apenas o devir, não há história, nem tempo, são invenções humanas, há apenas o presente, uma vez que é tudo que podemos viver. O passado não volta, o futuro está sempre por vir, logo, é no presente que tudo acontece, então, não podemos viver esperando ou retornando, mas sempre vivendo.

Paulo Freire disse “a melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita hoje é fazer hoje aquilo que pode ser feito. Mas se eu não fizer hoje o que hoje pode ser feito e tentar fazer hoje o que hoje não pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã o que hoje também não pude fazer”.

Janeiro pra mim já começou. O que me propus a realizar em 2010, já agora estou por fazer. Tudo na minha cabeça acontece como se já fosse ano novo, me organizo de tal forma e de tal forma me sinto. Não quis esperar o ano terminar e recomeçar mudando apenas um dígito para enfim mudar-me, dá início aos meus projetos e mudanças, já os implantei. Sei que muita gente está esperando o ano novo chegar, até suspiram e dizem, ufa, em janeiro cuido disso. O que significa um grave erro de estratégia, pois não saberemos como as coisas estarão na data aprazada que colocamos para realizarmos aquilo que planejamos.

Talvez janeiro nunca chegue....



Escrito por Ronaldo Magella às 08h36
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




SIM AO AMOR, NÃO A GUERRA

Ronaldo Magella 14/12/2009

Outro dia estava caminhando numa praça perto de casa quando vi uma menina, caminheira igual a mim, gritando ao celular, esbravejando, gesticulando, até perder o controle, o equilíbrio e parar de caminhar. Procurou um lugar mais afastado e continuou a conversar, conversar não, brigar, certamente com o namorado, pois pelas expressão dela e pelos gritos, não poderíamos nunca dizer que era uma conversa de paz.

Era um conflito, mais uma relação conflituosa. Como tantas outras que existem, cheias de brigas, confusões, mentiras, desencontros. Coisas totalmente contrárias ao que buscamos e almejamos com relação ao amor, as uniões, aos nossos romances, que estão mais para drama do que para comédia. Falo por mim, se algo acontecesse parecido comigo, não perderia tempo, pulava fora como um sapo que corre, ou melhor, pula do fogo.

Se aquela garota parasse um pouco pra pensar, melhor ainda, se se visse de longe, como eu estava a observá-la, cairia em si ou no ridículo de si mesma e talvez pensasse, o que estou fazendo? Isso não tem lógica, bom senso, não quero isso, quero paz. Estou fora. Sei que muitas vezes tomar uma decisão assim, ter essa atitude não é fácil, requerer muita força de vontade, coragem e amor próprio. O fato é que, penso, quando algo não está dentro do normal, do bom senso, do padrão, da lógica, quando algo nos tira a paz, nos faz ficar magoado, irritado, perder a razão, o equilíbrio, então, amigos e amigas, é preciso repensar. E até, quem sabe? Ser radical.

Precisamos sim de alguém para curar nossa solidão, dividir as coisas nossas, sonharmos um futuro, constituir família, mas o contrário, definitivamente, não precisamos. Alguém que nos perturbe, que nos faça chorar, ficar triste, apreensível, alguém que não nos inspire confiança, paz, amor e amizade, é melhor ficar a sós. Se continuamos em relacionamentos conflituosos, conturbados, desequilibrados, estamos partindo para uma solidão a dois.

Ilusão da minha parte e inocência seria dizer que os conflitos não existem, não, eles existem sim, brigamos, nos desentendemos, nos separamos, sofremos, é natural, isso acontece, mas é preciso saber a freqüência com que isso nos acontece, se é reincidente na relação. Uma vez ou outra, sim, é tolerável, somos humanos, é comum errarmos, mas sempre, vez por outra a mulher ou o homem está mentindo, dizendo coisas inadequadas. Não pensaria duas vezes, principalmente se fosse ou for um namoro, uma relação sem muita profundidade, cairia fora.

Não faz sentido perder noites de sono, a paz, o bom humor, ficar magoada ou magoado por conta de alguém que nos faz sofrer rotineiramente. Sim, às vezes há muitas coisas em jogo, em questão, mas sinceramente, minha paz, meu sorriso, meu bom humor, minhas noites de sono, não tem preço. Primeiro meu amor por mim, em primeiro lugar, meu equilíbrio psicológico e emocional. Uma relação sadia, limpa, normal, que traga tranqüilidade, não conflito. Penso assim.

Mas, cada um que cuide de si.



Escrito por Ronaldo Magella às 08h46
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




SOBRE NOSSOS ÍDOLOS

Ronaldo Magella 14/12/2009

Só por curiosidade, e por um motivo outro, procurei no Google, o nosso oráculo moderno, quais as pessoas mais procuradas no Brasil neste moribundo ano de 2009, aquelas que representam os nossos anseios mais próximos. Melhor, quis investigar quais os nossos interesses, assuntos, sobre o que estamos a cata, buscando, o que acompanhamos. Não foi nenhuma surpresa encontrar os nomes de Michael Jackson, Sandrinha, Barbie, Ana Maria Braga, João Bidu, Victor e Leo, Robert Pattinson, Mulher Melancia, Marcelinha, Lady Gaga, pela ordem de audiência, com o pomposo título de as 10 personalidades mais procuradas pelos brasileiros no Google 2009.

Muito interessante. Isso me lembra uma cena do filme A Onda, quando dois jovens em conversa num bar dizem que a nossa geração não tem com o que se revoltar, não há nada pelo qual lutar, temos tudo, lazer, tecnologia, progresso, sexo, liberdade, informação. E bastar olhar as palavras mais procurar no Google, ou as pessoas, e perceber que de alguma forma a lista de celebridade reflete e retrata a forma como encaramos a vida nos tempos atuais. Não nos preocupamos com temas transcendentes, sublimes, espirituais, sociais, em nossa grande maioria. E este foi o motivo outro para realizar a pesquisa e esbarrar em tais celebridades, saber quem somos de fato ou o que procuramos de verdade.

De fato, uma espiada rápida na lista das pessoas mais procuradas na internet pelos brasileiros e vamos comprovar que nenhuma delas exemplifica um questionamento mais profundo em relação à vida, nenhum dos nomes está ligado a religião, a filosofia, a literatura, as artes, aos movimentos sociais, marginais, são apenas objetos midiáticos, entes da televisão, da moda. Não há nenhum líder revolucionário, político, social, humanista, um pensador, o que nos deixa com um questionamento sério por fazer, quem procura por tais nomes? E o que essas pessoas mais procuradas nos dizem, que exemplos são esses que estamos a mirar?

Ausência de nomes ligados a determinadas áreas, das ciências, por exemplo, demonstra o momento atual que vivenciamos, estamos deixando de nos conhecer para viver a vida dos outros, achamos mais importante acompanhar a rotina dos astros da mídia e artistas a nos interrogar sobre o que sentimos, pensamos, vivemos, sobre os progressos humanos em diversas áreas. Não resta dúvida que vivemos um momento de sono. O “conhece-te a ti mesmo” de Sócrates já não desperta em nós nenhum mal estar, calafrio ou arrepio, é apenas mais uma frase como tantas outras das revistas.

Nossos ídolos são de barro, ou melhor, são produções de maquiagem, luzes e marketing, nossa vida é um falso cenário de ilusões.

 

 

 

 



Escrito por Ronaldo Magella às 19h26
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O QUE ESPERAR DE MIM EM 2010: MUDANÇA

Ronaldo Magella 14/12/2010

Faz alguma semana que recebo o mesmo email, diariamente, com o seguinte título, “o que lhe espera em 2010”, ou é alguma previsão sobre a minha vida ou alguma coisa que estão querendo me fazer comprar. Pena que não vou abrir. De uma forma ou de outra, devo dizer que, de 2010 não espero nada e se 2010 me espera, que espere sentado. O que sei é o que devo esperar de mim em 2010. Assim, posso inverter o título, “o que espero de mim em 2010”. Só um detalhe, sou quem espera, não o que esperam de mim.

A palavra de ordem para o próximo ano é mudar. Parece clichê, uma vez que todo mundo irá dizer a mesma coisa, mas, no entanto, é preciso salientar que, pelo menos assim acredito, para cada um deve ter um significado diferente e especial para o termo em vista. Uns vão mudar o guarda-roupa, outros o carro, alguém a cor da casa, e segue a lista. Em particular devo dizer que o lema será “mutatis mutandis”, expressão latina que significa, “mudando o que tem de ser mudado”, ou, mudar o que se pode mudar, mudar o que é preciso mudar, em suma, mudar-me em 2010.

Sócrates afirmou em sua filosofia existencial e ética que, viver uma vida sem reflexão, sem meditação, não valia a pena ser vivida, era sem muito proveito. Adoto o pensamento socrático. A mudança não será, nem pode ser de fora para dentro, mas de dentro para fora. Não uma mudança estética, mas ética. Ético no sentido de consciência, alargar o nível de entendimento da vida, da própria existência, do eterno viver. É preciso parar, sentir, silenciar e procurar sentido para vida, para existência. Um caminho a percorrer, um sonho a perseguir, algo pelo qual lutar.

Nas minhas meditações diárias sinto que estou perseguindo os ideias errados, velejando por rios, lago e pouco encontrando o oceano, o mar aberto, e isso deixa um vazio, não configurado por tristeza, depressão, tédio ou indiferença, mas um sentimento de que a vida poderia ser muito melhor e mais aproveitada. Logo, a reboque da mudança, é necessário imprimir-se o termo disciplina. Disciplinar-se, amarrar bem as necessidades, conter os impulsos, afogar o supérfluo, descartar o passageiro, prender-se ao foco principal, essencial.

Meus planos para 2010 longe bem não estão de mim, estão todos dentro de mim, e se materializaram em minhas palavras, pensamentos, atos, ações, conduta, logo, para que eu mude a minha vida é preciso mudar-me, corrigir, estar vigilante, policiando-me, não me deixando vencer-me pelas minhas carências, desejos, vontades, necessidades, fracasso. Que venha assim o próximo ano envoltos nesses sentimentos e reflexões.



Escrito por Ronaldo Magella às 10h12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




FIM

SEM INSPIRAÇÃO (2009)

Ronaldo Magella 10/12/2009

Em fevereiro deste ano, no carnaval, pra ser mais exato, me fiz uma promessa, a mim mesmo, iria escrever uma crônica por dia, seriam então, 365 crônicas, textos e poesias, um ano inteiro escrevendo, pensando, refletindo, postando, enviando, e assim o fiz. Mas parece que a inspiração acabou, chegou ao fim, me abandonou. Ou serei eu quem não estou a captá-la? De uma forma ou de outra, ando sem ter o que dizer, talvez venha a encontrar as minhas intuições e insights, mas por hora já disse tudo o que teria que dizer neste ano. É o fim de 2009. Ou não.

Já escrevi as minhas benditas crônicas a que me propus, cumpri minha meta, realizei meu trabalho de escritor de blog e perturbador social digital de email. Já sei que muitos nem mais se dão ao trabalho de abrir meus meios, que dirá meus inteiros textos, por isso, é hora de parar, dar-me férias. Mudar os assuntos, enfocar outros temas, abrir novas perspectivas, me olhar de fora, me repensar, reconstruir, me reinventar, estou a precisar desse momento. Sei que não podemos cessar o fluxo do pensamento, no entanto, é necessário ponderar algumas coisas, colimar dúvidas, reparar erros, revisitar acertos. E mais tarde voltar a escrever. Se achar por bem.

Cheguei algumas vezes a escrever quatro textos por dia, tamanha a ânsia de expressar algo ao mundo, num ritmo confortável. Agora devo dedicar-me aos livros, parados, na fila, muitos a esperar, requerendo a minha atenção, ao cinema, e outros momentos e prazeres da carne. Silenciar-me um pouco, escutar o meu próprio barulho, no silêncio de mim e do mundo, ouvi-me gritar ensandecidamente. Para enfim vociferar em letras, linhas e palavras.

Não sei se escrevo bem, mas escrevo. Se não sei escrever e se ainda não aprendi, pelo menos por falta de tentativa não pode ser, não posso ser responsabilizado pela ausência ou pela omissão, quiçá pelo excesso e pelos erros cometidos, mas nunca pela prática. Não me importo com erros, com desvios, com regras, com lapsos, falta de atenção, deixo a escrita fluir, o sentido brotar. Se houver algum.

Se fosse me preocupar em ser perfeito, nunca seria humano. A perfeição não é humana, o erro é coisa nossa, é o que nos torna gente, povo, pessoas, felizes e verdadeiros, autênticos e sinceros. A verdade está naquilo que somos, nunca no futuro que sonhamos, na ilusão que almejamos. Eu não sou perfeito, mas gosto de pensar e pensando vou buscando vencer meus medos e problemas, sempre almejando um equilíbrio emocional, sentimental, um amadurecimento interior. Sei que não agrado a todos, mas nem por isso vou deixar de fazer o que gosto, sei que erro, mas mesmo assim vou continuando, um dia eu consigo acertar, mas se eu parar por medo de errar, ou até mesmo pelos problemas que encontro e vou sempre encontrar,  jamais vou acertar. Preciso me aceitar como sou. Um doente só poderá curar-se em primeiro lugar se reconhecer-se como tal. São etapas que precisamos vivenciar. Dor, aceitação, trabalho e cura.

Os sonhos deverão continuar, posso voltar a qualquer momento a usar o espaço, invocar novas ideias, fluir outras reflexões, se achar por bem e necessário. Por hora e momento, a pauta é pausar a labuta literária, escrituraria (haja presunção) e voltar. Melhor? Quem sabe? Pior? Há o risco, certamente. Mas único, por que não? A todos desejo nos reencontrarmos em 2010, se por assim não acontecer, já disse o que tinha que dizer. Descanso em paz.

Fim.



Escrito por Ronaldo Magella às 01h31
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


<

VejaBlog - Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil

UOL













RONALDO MAGELLA



 
Meu perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, JARDIM CIDADE UNIVERSITARIA, Homem, de 26 a 35 anos, Livros, Arte e cultura
MSN -
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog