Ensaios, Idéias, Reflexões...e nada mais...


Amor, sabor, maduro

Ronaldo Magella 23/01/2012

Cazuza cantou que queria a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida, o poeta do rock brasileiro queria a tranquilidade de um sentimento que já enfrentou suas etapas necessárias e chegou ao ponto final, ao amadurecimento, pois só se morde um fruto maduro, já pronto pra ser comido, saboreado.

Fruto maduro, que já viveu o que tinha que viver, já nasceu, foi verde e agora pode ser provado, pode ser tirado do pé, da árvore, pode ser levado a boca com a toda a sua doçura, maciez e sabor. O fruto verde precisa de cuidado, precisa de tempo, precisa da época certa pra ser enfim amado, saboreado.

Cazuza sabia do que falava ao cantar assim, ele não queria mais o sofrimento da imaturidade, da posse, do ciúme, do apego, queria um sentimento livre, seguro, pronto, acabado, verdadeiro, sincero, autêntico, o amor em sua plenitude, como sabor maduro.

E o poeta canta mais, na música diz, “nós dois na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva, ser teu pão, tua comida, todo amor que houve nesse vida, e algum trocado pra dar garantia”. Não pode haver algo mais simples e singelo do que duas pessoas deitadas numa rede, conversando, aconchegadas, rindo, beijando-se, olhando para o céu, sentindo o cheiro um do outro, ouvindo a respiração, a batida do coração, a pulsação, sentindo o momento.

Outro dia li um texto que dizia que a gente não sabe mais namorar, a gente sabe fazer sexo, transar, ficar, mas namorar, isso mais não. Perdemos esse momento da simplicidade das coisas nos relacionamentos, tudo agora é corpo, é sexo, é ficar, é transar e depois jogar fora, ninguém mais quer sentir e conhecer o outro, a gente quer apenas usar as pessoas como objetos e mais nada.

Quando a gente é jovem quer viver tudo, quer ter tudo, vamos crescendo e amadurecendo, aprendendo que não podemos exigir tudo das outras pessoas, dos outros, mas aceitar o que elas podem nos oferecer, isso se nós as amamos, se as queremos. A imaturidade transforma o sentimento em posse, opressão, em sufocamento, a gente se irrita por qualquer coisa, briga, não sabe conversar, sentar, olhar nos olhos.

A maturidade, quando estamos prontos, com sabor, nos ensina a esperar, sabemos compreender, silenciar, aproveitar os momentos. Em matéria de amor aprendi que a pressa atrapalha a velocidade não dá sabor, é preciso ir comendo, como dizem, pelas beiradas, deitado na rede, na batida do balanço, o fruto maduro.



Escrito por Ronaldo Magella às 13h02
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A bundalização dos afetos

Ronaldo Magella 23/01/2012

Como é que a gente consegue gostar de alguém por conta de uma bunda? O mundo foi bundalizado, diz um amigo filósofo, não queremos mais afetos, carinhos, apenas bundas, é bunda no BBB, no Carnaval, na praia, em todo e qualquer lugar, só olhamos bundas, as bundas, queremos as bundas, ansiamos por bundas.

Homens gostam e querem bundas, as mulheres bundas, a Tv tem bundas, o cinema bundas, as revistas, algumas se chamam bundas, outras, mostram bundas. Olha que gostosa, é o que se ouve, se escuta, é o que os homens comentam entre si, eita mulher gostosa, que delícia de mulher. Outro dia um amigo chegou e me disse, rapaz, que mulher gostosa é aquele hein? Minha nossa!

Não poderia fazer nada além de concordar com ele, o que se pode fazer? É a cultura das bundas, dos corpos, dos desejos, da libido, do sexo, tudo gira em torno do que olhar, admirar e não sentir. Há uma cultura em nosso meio, e nem homens nem mulheres fogem disso, que diz que o que podemos ver é melhor do que podemos sentir, logo, comemos com os olhos antes de sentir o sabor, queremos alguém pelo que podemos ver dele, dela e não pelo que podemos sentir, conhecer.

Mas bunda não pensa, sente, fala ou reclama, o povo se relaciona com uma bunda, a gente se casa com uma bunda e vai conviver com uma pessoa, e é claro que isso nunca dará certo. Ninguém está preocupado com a personalidade, o caráter, apenas com o corpo, desejamos e queremos corpos, não o conteúdo que eles podem conter.

Nós mentimos, inventamos desculpas, as mesmas, de que beleza num é tudo, o interior é melhor, mas no fundo, em realidade, na verdade queremos mesmo sempre as mesmas coisas, bundas, corpos, beleza, ostentar a beleza dos outros, olha, eu estou com essa, esse, é gata, é linda.

Ninguém fica com alguém que leu Balzar, Sartre, Kafka, Joyce, ninguém quer mesmo saber disso, queremos saber da mulher, do homem que ficou apertadinho na calça jeans e nos fez babar de libido.

Buscamos e desejamos o exterior das outras pessoas, e aí mora o problema, é que convivemos com o interior delas, com o que elas pensam, sentem e não apenas com o que elas aparentam. Sei que é mais fácil admirar um quadro, ouvir uma música do que pensar na criação e no esforço do criador, logo, é mais fácil gostar da forma de alguém do que do conteúdo, afinal, é como dizem, cueca ninguém ver, ou seja, gostamos do belo pois é o que mostramos a sociedade e o que está por trás, por dentro, roupa suja, a gente lava em casa.  

Já escrevi isso em outro texto, mas vou repetir, cabe o argumento recorrente. Quando alguém passa as pessoas dizem, nossa que gato, gostosa, filé, que corpo, é muito boa essa mulher, esse homem é muito gato. As pessoas são tratadas como comida, como objetos sexuais, de desejo.

Você nunca ouvirá alguém dizer, nossa, será que ele, ela é uma boa pessoa, gosta de ler, trabalhar, é educada, sincera, fiel, verdadeiro, amigo, não, nunca vamos ouvir isso, pois nossos valores foram mudados.

Em lugar de pessoas, gente, humanos, passamos a admirar as partes, peitos, bundas, seios, pênis, coxas, barrigas, o problema, mais uma vez, é que nos relacionamos com o todo e não com as partes. 



Escrito por Ronaldo Magella às 00h16
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Amor de Facebook

Ronaldo Magella 23/01/2012

Podem me classificar de quadrado, aceito, mas não preciso de um amor publicitário, propagandístico, não preciso declarar minha dor, minha alegria ou meu amor em 140 caracteres do Twitter, nem publicar no Facebook qualquer coisa da minha intimidade para ser curtido e compartilhado pelos outros.

Ainda penso e acredito que a intimidade deve ser resguardada dos outros, como o nome diz, é algo íntimo que diz respeito apenas a criatura que sente e não a sociedade carniceira que vive em busca de tragédias e desgraças alheias, que aponta os defeitos outros e esquece si, das suas sombras e máculas.

Acredito no heroísmo do sofrimento silencioso e da alegria contida, nem violentar os outros com a sua dor, nem humilhar os demais com a sua alegria. Minha vida não é novela pra ser publicada em capítulos e assistida por todos em sites coletivos com pessoas desconhecidas de várias partes do mundo. Verdade que aqui e ali deixo algo escorregar, mas faz parte da minha humanidade, da minha contradição.

O segredo, como dizem, é a arma do sucesso. Ser discreto ainda tem um sabor de onipresença, ver a todos, a tudo e não ser percebido. Gosto de observar e não de ser observado, como cantou Lulu Santos, o que eu ganho ou o que eu perco, ninguém precisa saber, ou Marisa Monte, a dor é minha, a dor é de quem tem, não é de mais ninguém.

Vivemos o momento em que aparecer, mostrar, demonstrar, divulgar, é mais importante do que viver e sentir, não basta mais apenas viver, precisamos demonstrar e registar, compartilhar, divulgar, publicizar, dizer ao mundo, vim, vi e estou aqui e vocês não. Sim, verdade que muitas vezes dá uma vontade de fazer inveja aos outros, afinal, ninguém é mesmo de ferro, né?

Parece que hoje no mundo há uma competição pra ver quem demonstra mais amor e sofrimento nas redes digitais sócias, pra ver quem passa mais tempo falando da sua própria vida, pra ver quem consegue mais conquistar seguidores, amigos virtuais, ter muitos contatos.

Perdemos com isso o nosso poder de reflexão, o silencio necessário para pensarmos a nossa vida, pois estamos no barulho das luzes da internet, sob o holofote dos outros, estamos ávidos por nos mostrarmos, para chamarmos a atenção dos outros, de todos.

Nossos deuses agora recebem outros nomes, Deus da Fama, do Sucesso, do Momento, da Internet, oramos e rendemos graças a quantidade da nossa vida e não a qualidade dela.

Como disse, não preciso de um amor de Facebook, quem amo, sabe que amo, sabe pelo jeito que eu olho, converso, abraço, beijo, toco, me importo, o meu amor só a mim importa, só a mim pertence, não é pra o mundo, mas para o meu mundo, é meu, de mim, pra mim, vive em mim, comigo e está em mim. 



Escrito por Ronaldo Magella às 21h57
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Mulheres não gostam de homens vítimas

Ronaldo Magella 23/01/2012

Chega-me a notícia de que um homem tentou se matar, motivo, seu namorada não o quer mais, e penso comigo, ele agindo assim, ela nunca irá voltar, querê-lo de volta, por um simples motivo, as mulheres não gostam de homens vítimas.

O homem vítima é aquele que morre de véspera, antes de tentar, não acredita em si, se acha a pior das pessoas, não consegue acreditar em seus valores e qualidades, vive encontrando desculpa pra si mesmo, pra os seus erros, vive com o freio de mão puxado, não sabe sorrir, só sabe chorar, acusa todo mundo da sua infelicidade e quando é feliz atribui a sorte o seu sucesso e não ao seu esforço pessoal.

Vejo muita mulher bonita, bem sucedida profissionalmente, com uma boa intelectualidade namorando homens bobos, quase infantis, e meus amigos ficam pra morrer, mas é simples e óbvio encontrar uma resposta pra isso. Por mais que o cara num seja assim um modelo, um físico nuclear em inteligência, um Eike Batista em dinheiro, ele foi o cara que teve a coragem de ir lá conquistar a mulher.

As mulheres gostam de homens seguros, com personalidade, confiantes, em resumo, o chamado provedor. Gosta do homem em que ela pode confiar, acreditar, ter segurança, não gosta, claro, sempre, com suas exceções, de homens que não acreditam em si mesmos, que vivem chorando pelos quantos, gritando ninguém me ama, ninguém me quer.

A maioria dos caras quando são vítimas, e há aqueles escolhem demais as mulheres por isso as perdem para outros mais corajosos e menos qualificados, mas que chegou primeiro e foi audacioso. Aqui abro um parêntese e gostaria de perguntar, o que as mulheres preferem os homens lindos, maravilhosos, cheios de si, esnobes, ricos, vaidosos ou aquele cara simples que arranca suspiros, sabe conquistar, amar, desejar, querer? Entreguei a resposta já né?

 Os homens vítimas são frágeis, não acreditam em si mesmo, vivem sempre com o mesmo discurso, ela não vai querer, é mulher demais pra mim, eu num tenho condições de ficar com uma mulher bonita dessas, quem sou eu pra conquistar uma mulher assim?

Se você pensa que tentar o suicídio por uma mulher ou ficar deprimido irá trazê-la de volta, desculpe ser sincero, isso nunca irá acontecer. Como me ensinou um amigo meu, sofra calado, morra em silêncio, mas não grite de desespero, mulher não gosta de homem frágil, mas de maturidade.

Acebei de ler o livro Depois do sexo, do escritor gaúcho Marcelo Carneiro da Cunha, e na parte final do livro, quando a mulher diz ao homem que o acha culpado, ele apenas coloca o copo sobre a mesa e vai embora. A cena é perfeita.

Sem briga, sem confusão, sem choro, sem morte, sem melindre, apenas a certeza de que a vida continua. 



Escrito por Ronaldo Magella às 18h21
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A gente pode aprende a gostar pelo conteúdo, não pela imagem

Ronaldo Magella 18/01/2012

            Não dá pra gostar daquilo que não se conhece, por isso gostar vem de gosto, de sentir o sabor, de saber como é e como seja, o que de fato acontece. Isso acontece muito com as pessoas que pensam algo de alguém e quando conhecem descobrem que éramos algo totalmente diferente.

            Como disse Hegel, a prova do pudim é comê-lo. Num mundo de aparência, de imagens e símbolos que vivemos, quando o ver é mais importante do que o sentir, o conhecer, nós nos apegamos e nos apaixonamos pelas imagens em detrimento dos conteúdos. Podemos perceber isso pelas Redes Sociais Digitais, Twitter, Facebook, Orkut, Fotologs, Blogs, em geral, todos permeados por imagens, fotos, sons, embriagando os nossos sentidos.

            Como diz o título, a gente aprende a gostar pelo conteúdo, não pela imagem. A imagem nos serve para aproximar, chamar a nossa atenção, mas não nos prende por inteiro, por completo até o fim. A gente pode até se apaixonar pela beleza de alguém, mas irá conviver com o ego, com a persona, com a personalidade, com os gostos, medos, qualidades e defeitos da pessoa, a imagem será apenas um detalhe ao nosso sabor.

            Isso é tão certo que nós comemos com os olhos. Qualquer restaurante terá imagens lindas dos seus pratos, qualquer lanchonete faz isso, nos faz comer com os olhos, mesmo que depois de provado, o sabor tenha ficado aquém da imagem. Muitas vezes uma imagem nos convence, mas o sabor nos desagrada.

            Particularmente não acredito em demônio, no Diabo, mas outro dia vi um filme, não muito bom, mas interessante, chamado O Diabo no banco dos réus, em que um advogado resolve processar e condenar satanás pela maldade do mundo, pois bem. Como disse, o filme é tosco, mas uma frase me chamou a atenção.

            No filme quando o Diabo se põe a falar, em determinado momento ele diz, quem criou o barulho fui, Deus está no silêncio, eu criei o barulho, a histeria, o alarme, o caos. Claro, a frase num foi bem assim, está dito com as minhas palavras, num discurso indireto, mas o que ele quis dizer, a mensagem que o filme quis passar foi que, é impossível o conhecimento sem o silêncio, o detalhe sem a reflexão, sem a pausa, sem o momento introspeção, Deus está na bonança, calmaria.

            Enfim, é necessário conhecer os detalhes no silêncio, na intimidade, no olho por olho, no cara a cara. Todos nós já passamos por alguma coisa assim, semelhante, alguém nos conhece e diz, pensei que você fosse mais chato, mas hoje percebo que não. A pessoa nos julgou pela aparência e não pelo conteúdo, no primeiro contato que manteve conosco, desfez a toda a ideia que tinha a nosso respeito.

            Em sua filosofia Platão nos diz que vivemos um mundo de engodos, mentiras e ilusões, os nossos sentidos nos pregam peças, o olhar, o som, a realidade seria outra, o mundo das ideias, não o mundo dos sentidos. É mais importante a ideia de alguém do que a sua imagem, a aparência, beleza. 



Escrito por Ronaldo Magella às 10h53
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A falsa ilusão social que vivemos

Ronaldo Magella 16/01/2012

Cada macaco no seu galho ou cada um no seu quadrado, como preferirem, o fato é, somos uma sociedade mesquinha, individualista, mentirosa, falsa, arrogante, orgulhosa e egoísta, ninguém está mesmo preocupado com você, mesmo com todo esse discurso vazio de solidariedade, mas não se preocupem, eles irão te procurar quando precisarem de você e o pior, irão sorrir.

Isso não é uma filosofia ou uma teoria, é uma realidade. A experiência vem me mostrando isso, esse funcionamento das relações sociais ditas sinceras. As pessoas que “cortam” você em sua ausência, te defenestram, mas ao precisarem, te procuram, sorriem e dizem obrigado, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Fingimos, eis a nossa maior realidade, fingimos, mentimos, dentro de algo pacificamente estabelecido e acordado, pois todos somos assim, vivemos assim. ser sincero, verdadeiro e honesto nesse mundo soa como falta de educação, é preciso ser o que não somos. Veja como os ateus são tratados.

Tente ser sincero e dizer o que pensa, acha, sente, eles, o povo, o mundo, a sociedade, irá te rotular de louco, doido, estranho, ninguém pode ser o que é, preciso ser o que não somos para sermos aceitos, eis uma verdade social.

Ninguém vive realmente a sua religião, mas não suporta que ninguém não acredite em Deus, todo mundo erra, mas fala dos erros alheios, todo mundo tem a sua sombra individual, mas apontar o defeito do outro nos dá uma sensação de poder, como se nós fôssemos melhores do que outro que ali está agora cometendo o seu deslize natural, algo que nós, na nossa ingenuidade, pensamos que nunca irá nos ocorrer.

Jura-se e fala-se abertamente que beleza pouco importa, que dinheiro num é tudo, não trás felicidade, que Deus tudo basta, mas vivemos incessantemente pela ditadura do belo e da beleza, corremos como loucos por dinheiro, chegamos até a matar, e trocamos Deus por qualquer festinha de beira de esquina.

Simples, conta quantas vezes você se olhou no espelho hoje, quanto tempo demorou e lembra quantas vezes você orou a Deus? Tenta lembrar quantas vezes você pensou em ganhar dinheiro hoje, em pagar contas, gastar mesmos, e quantas vezes você pensou em Deus, e por fim, quantas vezes na vida você não quis alguém por achar a pessoa feia, pobre, fora do seu padrão social, isso claro, sem nunca nem trocar suas palavras com a pessoas, apenas de olhar?

Como disse, isso num é uma teoria ou filosofia, é uma realidade.  



Escrito por Ronaldo Magella às 16h29
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UMA LEITURA DO BBB

 Ronaldo Magella

 Em 1848 Karl Marx lançou o seu Manifesto Comunista. A Marx é atribuída a famosa frase sobre a religião, quando o autor teve a oportunidade de dizer que “a religião é o ópio para as massas”, pois, segundo o pensador alemão,  por causar grande alienação na sociedade, as ideias religiosas eram alienantes, levavam o ser humana a uma condição de passividade, sem lutar.

. Marx não conheceu os sistemas de transmisão de imagens, concebidos na década de 20, do século XX, conhecidos hoje por televisão.

Mas, se as religiões causam alienação, conforme afirmou Marx, o que pensar da televisão? É o estado de coma do povo?

É incrível como cerca de 30 milhões de pessoas param todas as noites, em suas salas de estar, quartos, junto com os familiares para assistir um programa como o Big Brother Brasil. Quando o Brasil tem números ínfimos de leitura, tiragens de livros e leitores.

 O Plano Nacional do Livro e Leitura em seu site diz que o brasileiro ler em média 1,8 livros por ano, enquanto assiste cinco horas de TV diária, o que dá por ano, 1825 horas na frente de programas de alta qualidade e “poder instrutivo”. Para o PNLL 74% dos pais ou responsáveis por estudantes brasileiros nunca ou raramente lêem livro. Assim resta mesmo ver imagens.

Sobre o BBB, veja as críticas de especialistas, encontradas Wikipédia:

 Em janeiro de 2008, a revista Ilustrada, suplemento do jornal Folha de São Paulo, inquiriu três especialistas em educação e psicologia acerca do conteúdo do programa. Estes foram unânimes em afirmar que não há qualquer conteúdo válido para crianças, existe exploração da sensualidade e que prejudicam "a formação da criança", como afirmou Carlos Ramiro de Castro. Para a professora de psicologia da educação Maria Silvia Pinto da Rocha o programa expõe as crianças à erotização precoce.

O professor de psicologia Valdeci Gonçalves da Silva, entretanto, o programa apresenta alguns aspectos positivos, apesar de já em seu título demonstrar a desvalorização da língua portuguesa, de demonstrar que o confinamento produz situações alheias à realidade. Para ele, o programa serve como um "laboratório" de apreciação da conduta. Mas o autor ressalta que "num país tão carente de cultura o Big é um programa que, com tantos recursos investidos, não consegue passar algo mais instrutivo".

Crítica ética

Em 2002 o professor de ética jornalística da Faculdade Cásper Líbero, Eugênio Bucci, publicou contundente artigo em que equipara este reality shows ao crime de seqüestro, neste caso às avessas, uma versão circense do delito; para o educador, o programa é de mau gosto em todo o mundo, mas no Brasil chega a ser torpe. Compara os participantes a "bobos num confinamento prolongado", visando um sucesso à custa da perda da privacidade e não por um talento, pela qualidade do raciocínio ou por uma obra. Classifica-o como o mais deseducativo programa da televisão, porque passa valores como o de que a fama justifica qualquer humilhação, e a conivência dos adultos face às crianças dá a estas a impressão de que o "circo" da exposição é um meio de "ser alguém na vida". Para o professor de ética "Todos [os participantes] demonstram um pantagruélico apetite pela fama. Desejam mais evidência. Há outras versões a caminho, você pode apostar, sempre com a mesma lógica: pela fama, tudo é sacrificável." (continua abaixo o texto)

 UMA LEITURA DO BBB (continuação)

 Diante de tais comentários, não precisaria mais nada dizer. Na nossa pequena opinião, soa insignificante. Mas...O programa nos passa a intolerância como forma de modus vivende, ou seja, aqueles que não nos são simpáticos ou que estão atrapalhando o nosso caminho no rumo à vitória devem deixar de participar da vida, do jogo, do nosso grupo, e assim, são mandados para o paredão, ou seja, ao fuzilamento.

É interessante perceber os campos semânticos que norteiam o programa: paredão (fuzilamento); herói (super poderes); confessionário (segredo, culpa, salvação); anjo (salvo); líder (capacidade); prova (resistência, capacidade); jogo (vencedor e vencidos); eliminado (morto, acabado). É claro que a nossa análise é superficial e feita de momento, precisaríamos de mais recursos teóricos para um aprofundamento. Tais palavras são todas positivas, exceto, o último estágio do participante, quando é eliminado. Anjo, líder, herói, jogo todas remetem a poder, superação, capacidade, quando nem todos ali demonstram tais qualidades, principalmente de heróis e líderes.

Porém, ao refletirmos sobre a escrita de tal texto, o nosso objetivo era discutir quais os valores que estão em jogo em um programa de tão grande audiência nos lares do Brasil. Conforme diz um dos analistas citados acima, o programa nos passa o discurso de que a vida é um jogo e que para sermos famosos e ricos temos que passar por tudo, todos e tudo vale a pena, humilhações, sacrifícios, choros, lágrimas, mentiras, falsidade, jogar-se uns contra os outros.  

A vida é um jogo. É interessante essa perspectiva. Nos jogos sempre há vencedores e vencidos, não há fraternidade, apenas regras a serem seguidas. Jogar é apostar, confabular, traças estratégias, superar metas e limites para se atingir o fim desejado, pois o importante é vencer, não importa os meios. E sendo assim, onde ficam os nossos sentimentos de altruísmo, amizade, fraternidade, companheirismo, renúncia?

E tudo isso em busca de um milhão de reais. Vejam o discurso. Tudo por dinheiro. Ficar longe dos amigos, da família, perder a privacidade, se submeter a provas, participar de festas, odiar uns e emparedar outros, votar contra uns e salvar-se a si mesmo, em troca de um milhão de reais. Tudo por dinheiro. A vida é dinheiro. Viver é ter e nada mais, quem tem pode mais, quem tem é o melhor, quem vencer terá.

Porque mais que alguém diga, olha é apenas um programa, nada mais, a mim fica a sensação de que aqueles ali confinados no programa representam uma sociedade. Se 30 milhões de pessoas diariamente se sentem atraídas por tais sensações é porque se sentem afinadas, representadas, gostam da disputa que alça uns e derrubam outros. Conforme disse Jesus, onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração. 



Escrito por Ronaldo Magella às 10h57
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É preciso conhecer pra gostar

Ronaldo Magella 10/01/2012

Muita gente diz não gostar de poesia, mas pouca gente, é bem verdade, procura ler, conhecer. Isso acontece com muitas coisas da vida. A poesia é bonita, é bela, é profunda, é transcendental, mas precisa ser conhecida, precisa ser tocada, precisa ser apreciada.

            As pessoas podem até apreciar certos poemas, autores, frases, fragmentos, mas estarão apenas superficializando a poesia em suas vidas. Adentrar nesse universo é primordial para que se possa entender que poesia é vida, mas do que literatura, como disse certo poeta, antes de saber escrever poesia, é preciso saber vivê-la.

            Tudo isso para dizer e contar a seguinte história. Uma amiga me disse ainda hoje, os homens não querem me conhecer, querem apenas usufruir da minha beleza, querem ficar comigo por eu ser bonita, mas poucos se importam com o que eu sinto, penso, para eles, sou apenas mais uma gata que servirá de troféu, de ostentação para seus amigos e sociedade.

            E a gente pode até se apaixonar por alguém por conta da beleza, do corpo, do sexo, dos olhos, do olhar, mas é preciso conhecer, é preciso tocar, ouvir, sentir para que a paixão se transforme em amor.

            Minha amiga sofre em suas relações por conta do ciúme, por ser bonita demais, os seus enamorados temem sofrer alguma decepção, ficam possessivos e ciumentos. Ela disse, não sou, nem vou trair ninguém, mas eles, os homens, não confiam em mim, quando estão comigo ficam possessivos e ciumentos, têm ciúmes do vendo, da lua, do sol, até de mim mesmo, se me conhecessem, saberiam que eu nunca haveria de trai-los.

            Como toda mulher, ela tem medo de ficar sozinha, o que será impossível, dado aos seus dotes físicos e a sua exuberante beleza, mas entendo o que ela sente e passa em sua existência. Uma relação não pode ser baseada no corpo, na imagem, na beleza, assim como a poesia não pode ser julgada por um poeta, por um poema, por uma frase.

            Um princípio básico para o gostar é o conhecer. Só podemos gostar daquilo que conhecemos, seja música, filme, comida, livro, seja gente, é preciso dialogar, e quando falo em diálogo, não me refiro apenas a palavras, aos verbos, mas aos diálogos que podem existir de sonho, desejo, esperança, perspectiva, futuro, presente e passado.

`           É preciso conhecer o outro em seus medos, nas suas alegrias, em suas fragilidades, em sua fé, esperança e até naquilo que ele tem de pior, para se gostar é preciso provar, pois como disse alguém, a prova do pudim está na sua degustação.

            A prova do amor está na convivência, convivendo com o outro, o conhecendo, é que saberemos se iremos amá-lo ou não suportá-lo. 

 

 



Escrito por Ronaldo Magella às 19h08
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A vida é curta e sem amor longa

Ronaldo Magella 10/01/2012

Na verdade a vida é apenas curta, mas deve ser tornar longe quando não amamos. E amamos, todos amamos, é a tese de André Comte – Sponiville, ao dizer que amamos de uma forma ou de outra, seja o trabalho, o dinheiro, a nós mesmos, a família, aos livros, nós amamos.

São, penso, formas de amor que podemos desenvolver para amar, o que torna, talvez, penso, a vida menos penosa quando não temos o afeto do amor de outra pessoa. Já ouvi muitas frases do tipo, não o amo, mas não vou ou não vou deixá-lo, isso acontece aos montes e inúmeras vezes.

As pessoas não são obrigadas a amar, mas se obrigam a viver sem amor, por conta de muitos fatores, econômicos, familiares, culturas, de dependência, medo, enfim, varia conforme a criatura e a relação. A única verdade é que, isso existe e muito.

Algumas pessoas conversavam quando uma disse, é, mas ele não gosta dela, e a outra logo completou, nossa, mas a vida é muito curta para vivermos com alguém da qual não gostamos, um terceiro suspirou e disse, é, é curtíssima e se torna longa, muito longa sem amor.

Foi essa conversa, suspostamente transcrita assim, que deu origem a esse texto. Ainda outro dia lendo Rubem Alves, no livro Educação dos sentidos, deparei com a seguinte frase, “a vida não se justifica pela utilidade. Ela se justifica pelo prazer e pela alegria”.  A maioria de nós busca uma utilidade nas relações, esquecendo a alegria e o prazer da mesma.

Procuramos alguém útil, bom corpo, trabalhador, visível, bonito, boa família, educado, simpático, aceitável, alguém de quem os nossos amigos e amigas não irão desgostar e nossa família deva aceitar. São coisas úteis, mas nem sempre alegres e prazerosas. Claro que tudo isso pode estar incluído no pacote e ainda termos a alegria e o prazer.  

É preciso entender, quando se trata de uma relação, que quem irá viver somos nós, não as outras pessoas. Quando todos forem embora, ao trancar da porta, ou ao silencia da companhia, somos nós quem iremos estar ali para viver aquele momento e é preciso que ele seja alegre, simpático, dialogado, simples e afetuoso.

Nenhum de nós, nenhum, sem exceção, tem certeza de que estará vivo na próxima hora, amanhã, ninguém tem essa garantia. O que torna a vida muita corta, pois podemos a qualquer momento não mais estar aqui, ir embora e só o que levaremos foi o que vivemos. 



Escrito por Ronaldo Magella às 16h39
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A sociedade do espetáculo: aproxima do distante e distancia o próximo

Ronaldo Magella 10/01/2012

Você sabe o nome do seu vizinho, sabe de cabeça o número do celular dos seus amigos, sem precisar olhar na agenda do telefone, sabe o aniversário deles, o número da casa, o que eles gostam ou não gostam de fazer, sabe o que mais deles?  

Pense sobre isso e reflita um pouco. É bem provável que não saiba algum desses dados e até argumentará que isso em nada modifica o que você sente por eles e a sua forma de se relacionar com essas pessoas. Isso é verdade.

Mas o que acontece é que, certamente você já postou algo na internet sobre alguém famoso que nunca viu nada na vida e que provavelmente também não irá ver. Isso é fácil de entender como acontece, a sociedade do espetáculo coloca os astros e estrelas da televisão, da música, do rádio, do cinema como se fossem nossos conhecidos, eles estão dentro das nossas casas mais tempos do que nossos amigos.

Sabemos o que eles fazem o que vestem, com quem casam, aonde casam, como casam, vivem, o que sonham, pensam, sabemos as suas biografias, isso por que eles estão ao nosso alcance a todos instante, em nossas telas, revistas, jornais, site, em todos os lugares.

Um exemplo, vem aí mais um BBB, o décimo segundo, e nós, como mesmo diz a publicidade em torno do programa, nos tornamos íntimos dessas pessoas, elas farão parte do nosso dia a dia, serão notícias, fotos, comentários, vídeos, um verdadeiro espetáculo de vidas confinadas numa casa que compartilham suas vidas num momento único com outras milhões de pessoas.

Na sociedade do espetáculo o que desconhecemos se torna íntimo e o que conhecemos passa a ser estranhos. Sabemos mais da vida de pessoas distantes e desconhecidas, do que daquelas que estão junto, próximo.

Na sociedade em que vivemos não basta viver, precisamos mostrar o que vivemos, é o espetáculo das nossas vidas, queremos nos mostrar a qualquer preço e custo, cada um de nós vive um pequeno cinema dentro de nossas casas e vamos jogando pra o mundo o que estamos fazendo, vivendo, sentindo, sonhando. 



Escrito por Ronaldo Magella às 11h54
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O ser humano à procura de si mesmo

            A gente mostra muito, rir muito, fala muito, mas se conhece pouco. Vivemos as redes sociais digitais, mostramos a nossa vida, olhamos a vida alheia, mas pouco nos conhecemos por dentro, como somos e o que sentimos. Vivemos sensações externas e esquecemos de cultivar nossos pequenos deuses interiores.

O psicanalista Rollo May escreveu em seu livro, O homem à procura de si mesmo, que o homem moderno sofria de vazio e de não saber sentir a si mesmo, pois o mundo contemporâneo insere muitas e novas perspectivas a cada dia , toma-lhe o tempo, e o homem consumia-se em tudo e com tudo, mesmo consigo mesmo. O livro foi elogiado por Erich Fromm, que considerou o livro uma obra prima.

Desnecessário dizer que o livro continua a atual, mesmo tendo sido escrito em meados do século XX, por volta do ano de 1953, pois bem. Ainda somos os mesmos, nos ocupamos de tudo, com tudo, de todos, menos de nós mesmos. A vida moderna com suas várias e quase infinitas possiblidades nos consome o tempo que poderíamos usar para pensar sobre nós mesmo. Tv, Orkut, conversas virtuais, Facebook, emprego, trabalho, família, amigos, Twitter, blogs, sites, informações, conhecimento, problemas, saúde, amor, afeto, a fila não termina jamais, nunca, sempre aumenta e alonga-se um pouco mais a perde de vista.

Foi lendo A arte de amar de Ovídio, escrito antes de Cristo, que percebi que mudamos de forma, de cor, mas não de conteúdo. O tempo passa, a vida avança, somos melhores intelectualmente, tecnologicamente, mas carecemos ainda de conduta moral, ainda somos violentos, ciumentos, orgulhos, vaidosos, vida as redes sociais, e egoístas.

Os conselhos ali expostos pelo poeta latino para se conquistar uma mulher, um amor, servem ainda para nós humanos do século XXI, e ali que percebi, ainda somos os mesmos, com os nossos vícios e paixões, com as nossas buscas pelo efêmero, pelo banal e superficial. Poucos de nós nos aventuramos a uma reflexão mais profunda a cerca da vida.

Pouco nos procuramos, pois já nos temos, é bem verdade, mas a questão é que não nos conhecemos. Nenhum de nós quer o que já tem, sempre a falta, a ausência, buscamos, e  por isso fazemos e realizamos excursões pra fora, nunca pra dentro, em incursões, nessa viagem interior. Daí deriva as nossas depressões, o nosso vazio, a nossa falta de rumo no mundo moderno, acompanhamos a moda, os ciclos, a massa, pois pensamos que alguém sabe o que está a fazer, mas na verdade, estamos apenas na metáfora literária de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, somos cegos conduzindo cegos.

Tenho pessoas que sempre me dizem as mesmas coisas, ah sei lá, num vazio imenso. Um “sei lá” profundamente filosófico, mas que demonstra o quanto não nos conhecemos a nós mesmos e não sabemos o que e o quanto sentimos a respeito do que vivemos, primeiro em e de nós mesmo e depois para com os outros.

Falta uma pausa para pensarmos o que sentimos, uma reflexão sobre as nossas emoções e os nossos afetos, sobre a nossa vida, existência, algo que a vida moderna quase não nos permite.

 

 

 

 



Escrito por Ronaldo Magella às 09h19
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A hora de viver a mensagem

Ronaldo Magella 04/01/2012

De forma simples e ligeira, poderíamos dizer que a mensagem de Jesus percorreu a história da humanidade de três formas, em três momentos distinto e significativos.

No início da Era Cristã, quando do surgimento da mensagem da Boa Nova, os primeiros seguidores de Jesus eram mortos em espetáculos no Coliseu de Roma, atirados aos leões em um circo grotesco e truanesco.

Naquela oportunidade, pela novidade da mensagem, dos temas, da vivência de Jesus, das histórias que corriam da boca ao ouvido, as pessoas se apaixonavam pelo momento, deixavam-se se envolver pela esperança que o cristianismo ensejava a todos. Eram tempos heroicos, mas violentos contra aqueles que desejavam libertarem-se do julgo do Império Romano e viver uma mensagem de amor, desafiando os valores da época de olho por olho, dente por dente, o tradicionalismo arcaico e castrador.

Mais tarde, o Estado com o seu poder centraliza o Cristianismo em suas hostes, e agora, a mensagem de Jesus passa a fazer parte dos Governos e ser obrigatória. Se antes se morria por um ideal, agora matava-se-ai por esse mesmo ideal, surgem então, as cruzadas, as inquisições, para aqueles que fossem contra os interesses poder vigente da época.

Se antes a adesão ao Evangelho de Jesus, em sua simplicidade, era gratuita, agora haveria de ser obrigatória. Nessa época surgem as interpolações na mensagem, as falsificações, as ausências e os silenciamentos para atender ao poderio da época, as autoridades, uma forma de dominação pelo medo, pela obrigação.

Necessário dizer que, surge, acredito, nessa época, as ostentações ao culto, já não bastaria ser, era necessário aparentar, demonstrar, deixar-se publicamente transparecer o que se acreditava, uma forma de fugir das perseguições arbitrárias impostas pelos mandatários.

Talvez nesse momento surge, pensamos, o superficialismo, quando era apenas necessário aparentar e não viver, fazer parte e não praticar, demonstrar e não sentir. O tempo passa.... 

Morrer por amor a Jesus, matar, insensatamente, uma vez que Jesus pregou o perdão, o amor, a não violência, mas, mesmo assim, matou-se muito em nome Dele, não se precisa mais, para então, chegarmos ao momento atual.

Já não se morre por Ele, já não se mata, muito embora seja verdade que ainda há guerras, como na Irlanda do Norte, entre Cristãos, mas hoje se vive o que se deseja viver pelo Evangelho, de acordo com a conformidade de cada um.

Já não se é obrigado, é chegado o momento não de morrer, não de matar, mas de viver a mensagem de Jesus em sua plenitude, dentro de um esforço íntimo e corajoso de renovação e reforma interior particular de cada criatura.

Os Cristãos atuais não serão trucidados em praça pública, nem servirão de armas para fins outros escusos, mas deverão agora silenciar diante das aberrações egoístas que esse mundo impõe, frente aos chamados vulgares e superficiais que a humanidade vive.

Não se morre pela mensagem, não se mata, mas se esquece daquilo que se diz acreditar, como se ainda vivêssemos as aparências e não os sentimentos. Ainda trocamos a vivência pelo hábito, ainda vivemos a imagem pelo conteúdo.

Depois de morrer, matar, é chegado o momento, principal, único, de nos voltarmos para nós mesmos e vivemos em nosso íntimo o título que carregamos, violentando os nossos desejos, as nossas vontades, o nosso orgulho, a nossa vaidade, o nosso egoísmo.

Mas ainda é uma decisão pessoal e intrasferível, depende e custará a cada um de nós assumir e nos responsabilizar pela mensagem que carregamos sob o título de Cristãos. 



Escrito por Ronaldo Magella às 22h39
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Pelo tempo que passa ao que a vida me deixa

Ronaldo Magella 02/01/2012

Para o mês terei o momento de completar mais um ano de vida, ao todo, terei 32 tempos anuais vividos na face do orbe terrestre. Você sempre hesita um pouco antes de declarar a sua idade, é engraçado isso, não gostamos de envelhecer, gostamos da eternidade presa num determinado momento das nossas vidas, o que é, diga-se, en passant, impossível, mesmo sendo desejado e sonhado.

Não sei se velho ou jovem demais para deixar de acreditar em certas coisas e querer viver outras. Mas viver o que? É o que me pergunto todo dia, o que podemos esperar desde mundo egoísta, individualista, solitário, consumista, que está grávido de outro? Alguém poderia gritar, não espere do mundo, espera de você.

Verdade! Preciso esperar de mim, por isso escrevo, não espero que alguém me leia ou até mesmo que goste do que escrevo, mas escrevo por uma necessidade de falar a mim mesmo do lugar de onde estou agora nesse momento. Como se gravasse num linha do tempo através de crônicas o que penso e o que sinto para que um dia, quando não mais lembranças tenham a me consumir, possa ainda ter as linhas, as escritas, para me redescobrir.

O tempo não impede você de sonhar, nem a idade, mas te oferta algo melhor, o sorriso simples e desprovido de quaisquer outras coisas, como raiva, orgulho, vaidade, sofrimento, dor, angústia. Não tenho mais sonhos, desejos ou vontades de um dia tive quando jovem, de amor, de sucesso, de poder, confesso, em verdade, que vez por outra sofro com a ideia da solidão, mas me conformo quando penso em outras pessoas que a viveram antes de mim e outras que irão continuar vivendo solitárias por um ideal maior, aliás, todo ideal é solitário, mas isso é tema de um outro momento.

Gosto de envelhecer por me saber, me conhecer, por ter esse pequeno, e quase impossível, controle sobre si mesmo. Mas hoje já sei dizer não, já sei silenciar, já sei olhar antes de falar e pensar antes de agir, não sempre, mas em alguns momentos, temos e tem-se um avanço humano, penso aqui comigo mesmo.

São tempos difíceis esses que vivemos, quando as pessoas estão mais preocupadas com animais do que com pessoas, quando a banalização do sexo, do amor, dos sentimentos nos torna mais ásperos e frios, quando nos preocupamos mais com o que aparentamos do que com o que sentimos, são tempos sombrios e severos.

E estamos vivos....

 

 



Escrito por Ronaldo Magella às 21h54
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Pelos olhos vivemos o mundo

Ronaldo Magella 02/01/2012

Somos movidos pelas imagens, o nosso universo interior guarda imagens, cenas, paisagens, momentos, alguns acompanhados de textos, sons, cheiros, mas as imagens são mais fortes, elas ficam em nós, fazem parte de nós, irão nos acompanhar até o fim da nossa existência.

            Por mais que os religiosos acreditem num paraíso, céu, num Deus, não há como pensar nessas coisas, entidades, sem criar mentalmente uma paisagem pra elas, sem conceber na mente um quadro, imagem, um rosto, um lugar. Por isso Jesus criou metáforas, parábolas, histórias, sem escrever nada.

            Jesus falou, narrou, contou, criou momentos, sabia que tais situações iriam nos acompanhar por séculos, pelo poder que tais criações teriam em nossas mentes e corações. Sócrates nada escreveu e em nós, para resumir a sua ética, nos ficou o seu momento quando na prisão alguém o quis o libertar e ele se recusou. Impossível não visualizar tal descrição, como ponto máximo da sua ética, morrer por um ideal.  

            Por isso gostamos tanto da televisão, do cinema, das imagens, de ver, e pouco nos atemos aos livros. Gostamos dos corpos, dos do que eles contêm, gostamos da massa, não do conteúdo, gostamos da beleza, não do interior.

            Gostamos do que podemos ver, como dizem, aquilo que os olhos não veem, o coração não sentem, ou seja, aquilo que não podemos enxergar, também não podemos amar, medir, sentir, desejar.

            Desejamos uma mulher, ou um objeto, pelo prazer que ele pode nos proporcionar no momento que estamos a vê-los. Ficamos a imaginar como seria se tais estivessem conosco, em nós, ao nosso redor, a nossa disposição. Vivemos o que podemos ver, olhar e observar.

            A sedução acontece quando podemos fazer alguém sonhar, sentir com os olhos, ver com a mente o que podemos por ela fazer. Não atoa que a publicidade não demonstra apenas o produto e objeto em si, mas o que poderíamos viver se tivéssemos tais coisas ao nosso poder. Desperta a nossa vontade, o nosso desejo, o nosso querer.




Escrito por Ronaldo Magella às 18h22
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A solidão nossa de cada dia

Ronaldo Magella 01/01/2012

Todo mundo se sente uma vez outra na vida sozinho, isso é natural, pois somos, até que se prove o contrário, uma Humanidade solitária. Estamos, somos sozinho e vamos continuar solitários.

Quando alguém algum dia encontrar vida em outros planetas, orbes, aí sim, poderemos dizer, viva, agora podemos dividir com alguém, ou coisas, os nossos sentimentos existenciais e solitários, nossas reclamações contra Deus, contra a vida, contra o existir.

Não precisamos muito para percebemos a nossa solidão, só precisamos olhar para o céu em uma noite de estrelas, ou mesmo pensar em Deus. Deus é o cara mais solitário de o todo universo, está lá sozinho em algum lugar da imensidão do Nada expandindo o caos, colocando ordem nas coisas que ele mesmo criou pra ele mesmo.

Implico ainda não questão solitária da humanidade, pois repito, ninguém pode morrer por nós, sentir as nossas dores ou viver as nossas alegrias, somos feixes de sentimentos vagando por um Terra, até então, sozinha no Sistema Solar, no Universo, na Galáxia, na existência, e que se há de fazer? Nada.

Bem que Descartes poderia ter dito, penso, existo, estou sozinho, pois ninguém pode pensar o que pensamos, estar em nossa cabeça, mente, podemos até ter alguém em nossos pensamentos, mas serão os nossos pensamentos.

Ninguém ama da mesma forma, até mesmo duas pessoas que se ama, amam de forma diferente, alguém sempre sentirá mais do que outro, mais forte, ou da sua forma peculiar de ser.

É isso que nos tornar sozinhos e solitários, pois somos indivíduos, individualidades, seres incomuns, pois não há no mundo outra pessoa igual a nós, que sinta e pensa da mesma forma que nós, somos únicos na criação.

 



Escrito por Ronaldo Magella às 10h50
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RONALDO MAGELLA



 
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